Esquizofrenia Infantil

24/07/2010 14:00

 

De acordo com os critérios diagnósticos da CID – 10, a esquizofrenia está classificada no bloco entre F 20 e F 29, com múltiplos quadros clínicos.  

Para a psiquiatria norte-americana, a esquizofrenia seria uma reação e teria como característica central um estado onde o paciente perderia o sentido da realidade, na acepção psicanalítica de um conflito Ego X realidade.  

A DSM III define – a como um distúrbio mental com uma forte tendência à cronicidade, de início na juventude, quase sempre levando à uma deterioração do funcionamento psíquico pré – mórbido e clinicamente manifestado por uma síndrome psicopatológica que se expressa por distúrbios do pensamento, afetividade e comportamento, na ausência de doença cerebral demonstrável ou retardamento mental.  

Moreira (1986) considera a esquizofrenia uma só, seja afecção na criança ou no adulto resguardando as características peculiares quanto à faixa etária de maior incidência sobre a doença.  

Para ser considerado psicose, Mc Hugh (1977) remete que deve produzir distúrbios na esfera do pensamento e da percepção que não sejam graves para haver distorções entre a realidade circundante e a relação dos fatos que nela ocorrem.   

O termo psicose é usado ocasionalmente, como eufemismo para loucura alguma vezes sinônimo de esquizofrenia (uma das entidades dessa categoria) e em outras ocasiões como depressão psicótica e neurótica. O termo não qualificado pode receber qualificativos pela diferenciação entre psicoses orgânicas e funcionais.

Psicoses orgânicas: delírio, demência e síndrome de Korsakoff.

Psicoses funcionais: esquizofrenia, psicose maníaco - depressiva.

A esquizofrenia é, entre as doenças mentais, a que acarreta mais prejuízos. É um distúrbio do psiquismo e da personalidade, que se manifesta com a consciência lúcida, caracterizado por diversas alterações nas experiências psíquicas nos padrões de pensamento e humor.

A hereditariedade é um fator etiológico importante pois sabe-se que a sua freqüência é aumentada nos familiares de pacientes. Sendo as chances de desenvolver esquizofrenia maiores, quanto mais próximo for o grau de parentesco com o paciente.

 

Quadro clínico:  

as características iniciais da esquizofrenia são delírios, alucinações, linguagem e comportamento desorganizados, como sintomas positivos. Apatia marcante, pobreza de discurso, embotamento ou incongruência de respostas emocionais e retraimento social com falta de iniciativa. A sintomatologia é muito parecida à do adulto sendo o início infantil mais grave do que no início adulto.

 Aborda-se a seguir os sintomas essenciais da esquizofrenia infantil:  

 

  • Distúrbios do conteúdo do pensamento:  

As alucinações e delírios são os primeiros aspectos percebidos. São ego sintônicas, ou seja, crianças esquizofrênicas nem sempre vêm como invasivas e estranhas. Lidam bem com os sintomas que lhe parecem naturais porque se iniciam precocemente e de forma insidiosa. O desenvolvimento das alucinações e delírios se torna de maior complexidade com o tempo. 

  •  Distúrbios da cognição:  

Esquizofrênicos sofrem de um prejuízo leve da cognição. As crianças submetidas a testes psicológicos de inteligência generalizada apresentam um QI abaixo da média ( entre 80 e 90 ). Nas medidas de aspectos específicos da cognição, os prejuízos podem ser graves, e, em outros aspectos, pode haver resultados elevados.  

  • Distúrbios da afetividade:  

Observa-se rigidez das disposições afetivas, fixação de certos interesses e ausência ou diminuição da atenção espontânea, inadaptação ao real e a fuga à realidade, acentuada violência nas reações de angústia ou defesa, estereotipias no comportamento, nas ocupações, na linguagem , bem como fenômenos de perseveração e ecolalia. Todos esses fenômenos ocorrem de forma particular à personalidade de cada indivíduo.  

 

Texto: Ana Rafaella Chiapeta Bezerra, Casiana Tertuliano Chalegre, Daniela Sá Leitão Guimarães, Diany Ibrahim de Souza Camilo
 

Fonte: https://gballone.sites.uol.com.br/colab/psicoseinfantil2.html